Desatorador, performance intervención, 1990—2005—2020.

Emilio Santisteban

Artista de performance duracional

Iniciado em 1990 e concluído em 2020, o Desatorador consistia em três atividades separadas por dois períodos de quinze anos de inatividade. Sua performatividade é encontrada em um ritual mínimo que estabelece, na esfera pública, o sentido de uma rotina doméstica de higiene para conjurar uma espécie de limpeza ética nos vínculos entre a sociedade civil e o Estado.

 

 

Nas atividades, que têm a duração de três dias inteiros, caminhei pela grande Lima Metropolitana com um êmbolo sanitário que constitui o instrumento intermediário do performativo que enuncia o desempenho, procedendo com ele para sugar meu peito (cidadania), a casa paterna (em 2020) e as fachadas dos prédios representativos dos poderes do Estado, entidades de controle e execução setorial, empresas financeiras, industriais, comerciais, de serviços, de mídia e culturais, associações comerciais, organizações políticas e não governamentais, igrejas, institutos de ensino superior e universidades, assim como as forças da lei e da ordem.

O esforço de caminhar por dias a fio, o desabafo do peito e a reiteração permanente da ação apontam para a responsabilidade que cada geração de cidadãos comuns tem na cultura política e cívica do país, desde a casa até as esferas mais altas do poder.

Um traço de communitas, embora pálido, pode aparecer em sentimentos de cumplicidade que podem surgir entre os transeuntes, antes da eloqüência de realizar uma desobstrução social, cultural e política. Há também o risco da infeliz simbolização do desengajamento dos cidadãos, culpando outros pelo que - seja subdesenvolvimento, desigualdade, inépcia, dificuldade, corrupção, etc. - é conjurado na atividade. Na tensão entre os dois, communitas e culpabilização, encontramos a luta entre desempenho e infortúnio a cada passo, entre estação e estação do comportamento do desator. E é lá que o drama é encontrado.

Por outro lado, os períodos de inatividade se dissolvem em uma certa inércia cívica histórica, o que faz de cada atividade uma tentativa intergeracional de subverter, por meio de um encantamento, o fracasso de nossa sociedade política.

Emilio Santisteban, artista interdisciplinario de performance. Perú. emilio@emiliosantisteban.org Contato.

  • Icono social Instagram
  • Facebook Social Icon
  • Icono social LinkedIn